quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Quando um gato come demais! – Parte II





Quando o veterinário tocava numa das patas da Bia, ela miava de forma muito aflita como que a mostrar que era ali que doía.

Mais uma vez, o veterinário alertou-me do seu excesso de peso, e que infelizmente, as quedas iriam acontecer mais vezes se ela não regularizasse o seu peso.

Apesar de dizer que já lhe estava a dar a tal ração própria para os gatos obesos, o veterinário alertou-me que isso não seria suficiente.

E para me mostrar que a Bia ainda estava obesa, apesar da tal ração especial, o veterinário fez questão de pesar a Bia, e então constatou-se que, afinal ela mantinha o seu peso de alguns meses atrás.

Por momentos, não percebi o que afinal havia falhado, mas à medida que fui conversando com o veterinário, mais e mais fui percebendo em que deveria mudar para ajudar a minha Bia. 


O veterinário alertou-me de que se ela não perdesse peso, mais e mais estaria sujeita a estas quedas, pois os gatos gordinhos tendem a perder um pouco a força e o equilíbrio por causa do seu peso excessivo.

Neste momento, foi uma das patas, e se mais tarde afetar algo pior?

Um gato obeso desequilibra-se com mais facilidade porque não consegue ter a mesma agilidade que tem um gato com o seu peso normal.

As quedas podem acontecer com muita regularidade e cada vez mais perigosas, especialmente se os gatos forem mais velhos e consequentemente mais frágeis.

Por isso, dar a tal ração de controle de peso e continuar a colocar a comida à disposição não é o bastante se quisermos que os nossos gatos percam peso.

É preciso que os gatos, aos poucos, sejam reeducados na sua alimentação.

Por isso, o facto de haver ali sempre ração para ele ir comer, as vezes que quiser, é um hábito muito prejudicial que eu, estava a incutir aos meus amados gatos.

Os gatos gostam de rotinas e criam hábitos com facilidade. Se eles se habituam a uma rotina de alimentação sem regras, isso irá conduzi-los à obesidade.


Nem todos os gatos têm tendência à obesidade. A minha Lady sempre foi uma gata no peso ideal e tinha a comida à disposição. Como já disse em artigo anterior, cada gato é um gato e assim sendo, nem todos os gatos são propensos à obesidade.

Alerto que nunca comece a fazer seja o que for na alimentação do seu gato, sem primeiro consultar um veterinário.

Toda e qualquer alteração de alimentação tem de ser orientada por um veterinário.

Nem todos os gatos precisam ser reeducados e nem todos precisam perder peso. É sempre o veterinário que deve dizer e nos orientar nessa necessidade de mudança alimentar nos nossos gatos.

No caso da Bia, o ideal será que a sua alimentação seja doseada na medida das suas necessidades, assim tal como nós devemos fazer com a nossa alimentação.

Ao falar com o veterinário, aos poucos fui percebendo o que devia mudar no meu comportamento de alimentar a Bia para que ela também assim pudesse comer na medida das suas necessidades sem excesso.

Por isso, o veterinário deu-me um copinho de plástico com a indicação de uma medida que é o suficiente de porção de comida para dar à Bia por quatro vezes ao dia.


Escolhi quatro vezes ao dia porque é sempre melhor que um gato tenha uma alimentação mais doseada ao longo dia. Assim como nós humanos, é sempre melhor comer pouco várias vezes ao dia do que muito em poucas vezes ao dia.

No entanto, pode ser três ou até duas, caso não possamos faze-lo.

E para além disso, depois de comer, a ração tem de ser guardada, para que ela não fique visível, e assim, aos poucos a Bia e os demais gatos da casa se habituem a comer apenas em determinadas horas e não todas as vezes que têm vontade.

Isso até parece difícil de fazer, ainda mais se temos uma vida diária agitada. O ideal seria dar-lhes alimentação especialmente ao mesmo tempo que nós estamos em casa, também a nos alimentar, para que assim possamos ver quem come e quem não come.


E depois, outro pormenor importante, é que cada gato deve ter a sua tijela com a sua dose certa. Se cada gato comer na sua própria tigela, sabemos também quanto cada um deles come e se está a comer menos ou mais do que é habitual. Esse pormenor também é muito importante, porque indica-nos logo se o gato está a ter algum problema de saúde, como já referi anteriormente.

Após estes conselhos de alimentação, a Bia foi medicada por causa da dor da sua pata magoada, sendo prescrito que nos três dias posteriores também terei de lhe dar um comprimido em casa, para continuar o tratamento. 

O que se espera é, que após este tratamento, aos poucos a sua pata melhore, porque senão, só com um raio-X é que será possível despistar-se outros problemas.

Contudo, após esta medicação e passados alguns dias, tenho notado que a Bia já não mia com tanta aflição. Já tenta andar mais vezes, pois os gatos são lutadores e não desistem fácil. Quando coloca a pata com mau jeito no chão, ela mia de dor, mas já sem tanta aflição.

Neste momento, tenho doseado a alimentação a todos os meus gatos de forma que não comam em demasia. 

Ao mudar a minha forma de alimentar os meus gatos, conforme me foi dito pelo veterinário, observei que a Bia realmente tem uma propensão para comer muito de uma só vez. Ela é capaz de comer a sua dose de ração de uma só vez. Penso que descobri assim, de uma forma muito dolorosa, que a Bia não consegue resistir à comida. Ela gosta muito de ração seca, mas também come facilmente bife de frango ou peixe cozido com grande apetite.


A questão de comer em demasia agrava-se mais pelo facto da Bia ser muito calma e pouco dada a ter atividade física.

Ela tem os seus hábitos, de todos dos dias de ir saltar à janela, e depois ficar esticada na mesa para apanhar sol. Mas para além disso, é capaz de encostar-se a mim, enquanto escrevo no computador, como agora está, e assim ficar por várias horas seguidas.

A falta de atividade também propicia a sua obesidade. 

Para além disso, a Bia tem uma personalidade muito calma e pouco dada a brincar com os outros gatos da casa. Como já disse em um artigo anterior, a única companheira que aceitou a seu lado para uma vida mais dinâmica era a sua amiga Lady, que infelizmente faleceu. A partir dessa perda, a Bia não aceita estar ao lado dos outros gatos com mais intimidade.


À medida que os anos passam, em que vou compartilhando, mais e mais a minha vida com os gatos, percebo que adotar um animal de estimação, especialmente um gato não é apenas dar-lhe comida, água e uma casa.

Para mim, adotar um animal é adotar uma eterna criança, e por isso devo estar preparada para aprender com eles, a melhor maneira de os adotar com verdadeira responsabilidade.

Nesta altura do Natal, por vezes, pensa-se em dar-se um animal de estimação, pois pensamos que dar-lhe abrigo e alimentação será suficiente.

Porém, adotar um animal exige mais do que bens materiais.

Para além de satisfazermos as suas necessidades de alimentação e de abrigo há que lhe fazer companhia e dar-lhe afeto. E para além de tudo isso, há que estar preparado para prestar-lhe atenção ao seu comportamento, ajudando-o a preservar a sua saúde, ensinando-o a criar hábitos saudáveis.

Por isso, deixo aqui mais esta partilha de vida com os meus gatos e espero que isso ajude a outras pessoas que têm animais de estimação a perceber melhor as suas fragilidades.

No próximo artigo irei falar de mais um mito associado aos gatos: a sorte ou a tal falta de sorte que ainda há quem associe aos gatos, especialmente aos gatos pretos. Ainda mais com a chegada de fim de ano em que as superstições inundam o nosso modo de vestir ou de agir, valerá a pena falar deste mito, partilhando como sempre, a minha experiência de vida com os meus gatos.


Até o próximo artigo com muitos beijinhos da Bia!



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(Rosária Grácio)